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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Milagre de Natal de António Torrado

Milagre de Natal
Escrito por António Torrado e ilustrado por Inês Oliveira
Editado pela Civilização Editora em 2008

"Tudo aconteceu numa noite mágica dos fins de Dezembro...
Imaginem um cãozinho perdido. Imaginem a balbúrdia das ruas cheias de gente, na roda-viva das últimas compras. O que vai ser do cãozinho? Quem lhe acode?
Mas eis que entra na história o Pai Natal.
Às vezes, o bom velhinho faz grandes confusões com as prendas, o que, atendendo à idade, tem desculpa. Não lhe peçam responsabilidades, que preocupações a mais já ele tem.
E o que aconteceu ao cãozinho? Recebeu prenda? Deu prenda? Teve sorte? Pouca sorte? Lá mais para diante se saberá..."
Fonte: contracapa do livro

Ilustrações de Inês Oliveira

“ (…) A narrativa acompanha as aventuras de um pequenino cachorrinho abandonado que, por uma extraordinária conjugação de acasos e coincidências, acaba por ser resgatado e adoptado por uma família. O milagre resulta, pois, da interpretação que é dada ao seu aparecimento e da surpresa com que é recebido. Valorizando o afecto, a partilha, mas também uma leitura divertida da vida e dos múltiplos acasos que com ela se cruzam, o texto de António Torrado propõe uma visão eufórica do Natal, sobretudo se vivido em família. As ilustrações de Inês Oliveira sublinham, de forma eficaz, a dimensão afectiva do texto, assim como a sua componente maravilhosa. Com recurso à aguarela, a ilustradora recria, a partir de originais pontos de vista e focalizações, os universos nos quais as personagens se movem, pontuando o texto com expressividade e ternura.”
Ana Margarida Ramos in www.casadaleitura.org


Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para apoio a projetos relacionados com o Natal
nos 3º, 4º, 5º e 6º anos de escolaridade.

Livro disponível na rede de bibliotecas do concelho de Arganil

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

"O mercador de coisa nenhuma" de António Torrado

"O mercador de coisa nenhuma" com textos de António Torrado
e ilustrações de Madalena Raimundo. Editado pelos Livros Horizonte.

“Abdul-ben-Fari, comerciante de tapetes na cidade de Abjul, vivia tranquilamente dos seus negócios, que lhe enchiam cada vez mais o cofre e lhe alegravam o coração. Era respeitado como um dos homens mais ricos da cidade e também, um dos mais felizes. Mas, num dos recantos do seu coração alegre (e não do seu cofre repleto), alojara--se um espinho de tristeza, que crescia e doía, às vezes.
Abdul-ben-Fari tinha um filho, Racib, quase um homem feito. Muito o preocupava Racib. Preocupava-o e afligia-o.
Que tristeza para Abdul-ben-Fari, quando espreitava o filho no armazém e o surpreendia a bocejar, sempre a contas com os infindáveis tapetes que era preciso desdobrar, escovar, limpar e voltar a dobrar, até que aparecesse um comprador que os levasse por mais do que eles valiam! Com que desgosto o pai de Racib via o seu único filho correr, mal fechava a loja, até à sombra de um jardim, para, de ouvido no chão, escutar o lento, progredir das raízes através da terra ou o erguer paciente dos caules em direcção à luz! E que estranha mania essa de contar as formigas de um carreiro, não sucedesse ter-se perdido alguma, desde a última vez que por lá passara! E quem viu doidice igual à de se debruçar para dentro de um poço e pronunciar palavras sem fim, que o poço alongava, como uma boca cheia de ecos?
- Alá quis que eu tivesse um filho de cabeça ao vento - lamentava-se Abdul-ben-Fari. - Que hei-de eu fazer?
Mas os mestres de Racib tinham-lhe apreciado a inteligência, os vizinhos diziam-no bondoso e os clientes achavam-no amável.(…) 
Um dia, depois de muito matutar, Abdul-ben-Fari chamou Racib, deu-lhe uma bolsa de dinheiro para as mãos e disse-lhe:
 - Como me parece que não gostas deste negócio de tapetes, nem eu quero a minha ruína, toma este dinheiro para aplicares no negócio que preferires. Vai para outra cidade, faz o que te aprouver. Sempre quero saber, de aqui a um ano, com uma fortuna voltas…
 Lá foi Racib para outra cidade, de outra terra. Como é que iria arranjar-se? Que fazer com aquela pequena fortuna? A bolsa com o dinheiro do pai pesava-lhe muito, mas ele não se decidia.
(…) No dia seguinte, encheu dois almudes de água pura, transportou-os para uma das ruas mais movimentadas da cidade e começou a apregoar:


- Quem quer gotas de água? Quem quer?
A sua voz cristalina soava alegremente, no meio dos pregões gritados pelos outros vendedores, mas ninguém queria gotas de água. Quando se aproximavam possíveis fregueses para encherem uma bilha, um barril ou um balde, Racib avisava-os:
 - Quero que vejam a água a cair, gota a gota. Reparem como brilha ao sol uma única gota, vejam como se arredonda e se alonga até se desprender, deixando outra à espreita no seu rasto. E os círculos que abre ao cair...
Os clientes iam embora, resmungando. (…)
Nesse dia, Racib não fez negócio, nem no dia seguinte, nem nos outros dias.Talvez fosse mais feliz noutra cidade. E Racib correu muitas terras, tentando vender as gotas de água que ninguém queria comprar.
- Vou mudar de negócio- decidiu , um dia.
Carregou duas grandes caixas de areia fina para as portas de uma cidade e começou a apregoar:
- Quem quer grãos de areia? Quem Quer?
- Quanto pedes pelas duas caixas? – perguntou um homem que passava.
- Só vendo um grão de cada vez, senhor. Repare que a areia, ao longe, parece cinzenta. Mas cada mão cheia contém um milhão de grãos todos diferentes. Eu tenho nestas caixas grãos azuis, pretos, amarelos, brancos e transparentes. Tenho grãos azulados, rosados alaranjados... de que cor quer?


Mas o homem já se tinha ido embora, enfadado com aquele mercador de coisa nenhuma. Sim, era esse o nome que lhe davam nas cidades por onde passara: - Racib, «O Mercador de coisa nenhuma». Que valor tinham gotas de água e grãos de areia? Para que serviam? Ninguém gastava o seu rico tempo e o seu rico dinheiro a mercar  tão insignificantes artigos. E a voz de Racib perdia-se como gota de água no meio do mar ou grão de areia no deserto.
 - Vou mudar mais uma vez de mercadoria.
 Instalou-se numa cidade, onde não era conhecido, e passou a vender sonhos.
- Como fazes para ter sonhos à venda? – perguntou-lhe um grande senhor, que o ouvira apregoar.
- Durmo, senhor – respondeu Racib.”
Fonte: interior do livro

E o que se passa a seguir
 vais ter de descobrir…

Requisita o livro na rede de bibliotecas do concelho de Arganil
Boas leituras!

quinta-feira, 31 de maio de 2012

O Dia Mundial da Criança comemora-se amanhã...aqui fica uma sugestão de leitura

A roda dos direitos da criança

A roda dos direitos da criança
a menina dos teus olhos
olha para os meus
e vê outra menina
a dizer-lhe adeus.
Tenhas cabelo crespo
ou olhos rasgados,
tenhas pele de amêndoa
ou lábios rosados,
venhas do frio mais frio
ou da estepe ardente
ou do corrupio
da cidade urgente.
venhas donde venhas,
vás para onde vás,
se por mim passares
olha-me e verás,
essa tal menina
a dizer-te adeus, porque os teus olhos,
qual seja o tamanho
qual seja o desenho,
azuis ou castanhos,
árabes ou judeus,
são, no seu empenho
de indagar à terra,
a raiz dos céus,
tal e qual os meus.

António Torrado
In Histórias com direitos editado pela Plátano editora em 2010´

terça-feira, 27 de março de 2012

Hoje é o Dia Mundial do Teatro!

E para assinalar a data sugerimos a leitura do livro O adorável homem das neves de António Torrado editado pela Caminho em 1989. Uma peça de teatro para crianças cheia de humor que cativa o leitor e o espectador.

 


“Esta peça, agora reeditada, começa num palco com um excêntrico coleccionador de chapéus, um ajudante de bar de teatro, de seu nome Decas Perna Fina, e a menina dos bengaleiros. Não está mal para começo. Mas, sem mais nem menos, a peça desatina e salta, no tempo e no espaço, até à serra da Estrela. Um autêntico disparate, tanto mais que na serra o Tio Chapeleiro e os amigos não só ensinam a andar como um boneco de neve como travam conhecimento com — calcule-se! — Viriato e os seus valentes guerreiros lusitanos, muito competentemente à trolha com os romanos invasores. Uma coisa sem pés nem cabeça! Mas coisas e loisas que o teatro e os seus mágicos esplendores permitem e fazem brilhar os olhos das crianças”.
Fonte: Wook


Esta peça foi representada pela primeira vez no palco da Cooperativa do Povo Portuense, em Junho de 1985, pela Companhia da Escola de Teatro do Seiva Trupe, numa encenação de José Cayolla.

Livro disponível na rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Hoje há palhaços!

"Eles aí vêm, os palhaços, vozes de melaço, riso em estilhaços e grandes abraços para o povo todo.
- Eh, ralaço! Eh, madraço! Eh, palhaço! Vivó quem é uma flor!
- Vivó, palhaço, palhação, cabeça de melão, miolo de algodão!
- E tu palhaço, palhacete, nariz de cavalete, boca suja de sorvete, como estás, estás bem?
- Bem bom, pois! Mas agora reparo: estamos aqui nós aos abraços e ainda não cumprimentámos o excelentíssimo, digníssimo e distintíssimo público...
(...) Chamo-me Anacleto Paracleto Aniceto Alfabeto de Mileto, mas também me chamo Anacleto Pilé.
- Pilé é açucar. Porque te chamas assim?
- Porque a minha mãezinha dizia que eu era muito meigo, muito doce... Era tão doce que, quando a minha mãezinha precisava de açucar para temperar o café me dizia assim: "Anacleto, mete o dedo na chávena".

Ilustrações de Lisa Couwenbergh
Uma história divertidissíma repleta de humor e de boa disposição! Escrita por António Torrado, "Hoje há palhaços" faz parte do livro "A nuvem e o caracol" editada pela Asa em 1990 (4ª edição).
Obra disponível na Rede de Bibliotecas do Concelho de Arganil